ENTREVISTA – MAURÍCIO DE SOUSA
Belo Horizonte, 2011
R- Quando tenho tempo leio os novos autores nacionais que o Sidney Gusman, editor de novos projetos, me apresenta. Mas sempre estou relendo os clássicos como Spirit de Will Eisner.
- Você se inspirou em algum artista?
R- Um deles é justamente o Will Eisner com histórias ambientadas nos anos 50 em Nova York. Mas vários autores nacionais e internacionais que lia em minha infância me inspiraram a desenhar e contar histórias.
- Muitos quadrinistas se inspiram em você e no seu trabalho. Quais as dicas que você costuma dar para eles?
R- Para que cada qual siga seu estilo e fique antenado ao seu público. Trate seus personagens como filhos e deixe-os viver.
- Em eventos como o FIQ, muitos fãs pedem autógrafos e querem tirar fotos com você. No início, isto lhe assustava? E hoje?
R- Nunca me assustou porque é um carinho que nos alimenta. É para eles que desenhamos e contamos histórias.
- Os seus personagens marcam gerações de leitores de quadrinhos. Qual o significado disto pra você?
R- O prazer de ver em uma fila de autógrafos vários pais dizendo que aprenderam a ler com os meus quadrinhos e que agora seus filhos estão fazendo o mesmo caminho.
- No exterior, a Turminha faz muito sucesso. Como você explica personagens da cultura brasileira acontecendo mundo afora?
R- Prova que criança é criança em qualquer parte do mundo. Hoje, por exemplo, estamos publicando na China e não houve quase mudança nenhuma nas historinhas que produzimos aqui.
- Em relação aos quadrinhos no Brasil, você acha que atualmente há espaço e incentivo para o surgimento de novos artistas e personagens?
R- Está acontecendo naturalmente e, principalmente, nos quadrinhos adultos. Grandes desenhistas brasileiros estão ganhando prêmios inclusive no exterior com seus trabalhos. Basta ver a série dos livros MSP50 que publicamos com esses autores. São 150 deles em estilos diferentes.
- Os quadrinhos, além de traços e textos, o que significam para você?
R- Uma vida. Quando pequeno cheguei a ganhar prêmios em concursos de rádios como cantor. Depois queria ser pianista. Mas carregar um lápis foi mais fácil do que carregar um piano nas costas.(risos)
- Para finalizar, qual a mensagem que o cidadão Maurício de Sousa pode mandar para os jovens?
R- Tudo que queremos na vida começa já na infância. Alguns descobrem antes, outros mais tarde. O jovem que vive de bem com a vida é o que descobre antes e manterá a alegria e simplicidade da criança para sua fase adulta. Ficar de bem com a vida é cuidar da saúde e da mente. Aí fica tudo mais fácil.

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